As primeiras chuvas e os desafios frente aos efeitos da estiagem

27


Depois de longuíssimo período de seca, as chuvas, finalmente, voltam a molhar o ressequido solo sertanejo, garantindo, inclusive, a captação do precioso líquido, que, a cada dia, vinha se tornando mais raro por essas paragens. As aguadas vão aos poucos se locupletando e a vegetação já começa a revestir-se do seu verde natural. Por toda parte, lavradores já são vistos arando a terra e fazendo plantações.

A vida parece voltar à normalidade, mas o retorno das chuvas ainda não é suficiente para que o sertanejo venha a se restabelecer, depois de um dos ciclos de estiagem mais longos da história nordestina. Os efeitos da seca são, a rigor, devastadores: perda total (ou quase total) dos rebanhos, desaparecimento das pastagens, evaporação das parcas economias dos agricultores, sem falar do desgaste físico e psicológico pelo qual têm passado os heróicos e aguerridos sertanejos.

Torna-se impossível, diante de tal quadro, que os lavradores sozinhos consigam meios de soerguer-se, sendo imprescindível, para isso, a intervenção das instituições públicas, quer do pondo de vista técnico, quer do ponto de vista financeiro.

Há quem diga que as chuvas que ora caem sobre o sertão são breves e passageiras e que a seca voraz voltará a castigar a região. Esperemos que não passe de mera previsão, mas se vier a ocorrer (e isso não deverá nos surpreender), teremos que estar preparados para enfrentá-la, o que, infelizmente, não se conseguiu até agora, justamente por falta de ações mais definidas, no que diz respeito ao enfrentamento da crise provocada pela escassez dos recursos hídricos.

Urge, portanto, que o poder público adote políticas mais robustas e efetivas com vistas ao resgate da dignidade do povo sertanejo, em momento tão difícil como o que se atravessa em que pese o advento das tão esperadas trovoadas. Urge, outrossim, que os lavradores, os principais interessados na questão, mobilizem-se e corram em busca de medidas que possam, de fato, superar os problemas ocasionados pelos efeitos das estiagens prolongadas, assim como criar para o futuro condições de sobrevivência digna com o problema da seca, que não é algo novo, nem estranho ao clima do nordeste.

*Por José Gonçalves do Nascimento
Membro da Academia de Letras e Artes de Senhor do Bonfim – ACLASB

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA